Confiança emocional: o que acontece quando o consumidor percebe a IA na mensagem
Bento • 2 de novembro de 2026

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Confiança emocional: o que acontece quando o consumidor percebe a IA na mensagem

Três pesquisas convergem: quando o consumidor percebe a IA na mensagem, a confiança emocional na sua marca tende a cair.

Por Léo Bento , roteirista Leitura
Mão humana diante de um letreiro de neon
Foto: charlesdeluvio no Unsplash

Em 30 segundos

  • Na WSU, mencionar IA reduziu a confiança emocional e a intenção de compra.
  • O efeito foi mais forte em produtos de alto risco.
  • Na Gartner, 50% dos consumidores americanos preferem marcas que evitam IA generativa nas mensagens.
  • Na Getty Images, 90% querem saber se uma imagem foi feita com IA.

A confiança sustenta boa parte das escolhas que o consumidor faz pela sua marca. Três pesquisas recentes, feitas por uma universidade americana, por uma consultoria global e por um banco de imagens, chegam a conclusões convergentes sobre o efeito da inteligência artificial nessa relação.

Neste sexto artigo da série, olhamos para esses estudos e para o que eles dizem sobre a confiança emocional, aquela que faz alguém escolher uma marca sem precisar comparar planilhas.

A palavra "IA" reduz a vontade de comprar

Em julho de 2024, a Washington State University divulgou um estudo liderado por Mesut Cicek, publicado no Journal of Hospitality Marketing & Management. Os pesquisadores fizeram experimentos com mais de mil adultos nos Estados Unidos e mostraram descrições idênticas de produtos e serviços, com uma única diferença: a menção ou a ausência do termo "inteligência artificial".

A recomendação do pesquisador ao mercado foi objetiva: descrever características e benefícios e deixar de lado os jargões de IA. O estudo tratou de descrições de produtos. Por analogia, a mesma cautela serve para outras mensagens em que você pede ao público que acredite na sua marca.

Metade dos consumidores prefere marcas que evitam IA generativa

Em março de 2026, a Gartner divulgou uma pesquisa feita em outubro de 2025 com 1.539 consumidores nos Estados Unidos. Segundo reportagem da Convergência Digital, 50% dos entrevistados disseram preferir comprar de marcas que não usam IA generativa em mensagens dirigidas ao consumidor, como publicidade, conteúdo de marketing e interações com clientes.

O mesmo levantamento mostrou que 68% se perguntam com frequência se os conteúdos que veem são reais, e 61% questionam com frequência se as informações que usam no dia a dia são confiáveis. A recomendação atribuída à Gartner é que profissionais de marketing tratem a IA generativa como uma decisão de confiança e de tecnologia ao mesmo tempo.

O queixo delas treme quando tem contato com uma comunicação importante da marca?
Léo Bento, roteirista e fundador da Mentoniano

Nove em cada dez querem saber se a imagem foi feita com IA

O relatório "Building Trust in the Age of AI", da Getty Images, ouviu mais de 30 mil adultos em 25 países, com levantamentos feitos entre 2022 e 2024. De acordo com a cobertura do LBB Online, 90% dos consumidores querem saber se uma imagem foi criada com IA, e 98% consideram imagens e vídeos autênticos indispensáveis para construir confiança.

Jacqueline Bourke, diretora sênior de criação da Getty Images para a região EMEA, afirmou que, quando autenticidade e confiança são centrais para uma marca, uma campanha ou um produto, a IA provavelmente não é a escolha adequada. Ela lembrou também que nenhuma empresa está imune a reações negativas quando o conteúdo de IA abala a confiança do público.

Confiança emocional e filme publicitário

Na nossa leitura, um filme publicitário é, em grande medida, um pedido de confiança. Com ele, você convida o público a acreditar numa história, numa promessa e num tom de voz. Quando o espectador desconfia da origem do que está vendo, a desconfiança se estende ao que está sendo dito.

O estudo da WSU indica ainda que o efeito cresce conforme aumenta o risco da decisão de compra. Bancos, planos de saúde, construtoras, escolas e marcas de bens duráveis lidam com escolhas que envolvem dinheiro, segurança e futuro. Se a sua marca está nesse grupo, a autoria da mensagem merece atenção redobrada.

Transparência e autoria

A pesquisa da Getty sugere que o público valoriza saber como o conteúdo foi feito. Daí vem uma pergunta que você precisa responder: se a sua marca decide usar IA em alguma etapa, como comunica essa escolha, e quem responde pela mensagem final?

Ter um roteirista identificado, responsável por cada fala, é uma forma concreta de garantir autoria. O décimo artigo da série mostra como distribuir as tarefas entre pessoas e ferramentas sem perder esse controle.

Na prática

  • Avalie o grau de risco da decisão de compra do seu produto antes de usar IA na mensagem.
  • Evite destacar a IA como argumento de venda quando o público precisa confiar na sua marca.
  • Defina uma política clara de transparência para conteúdos produzidos com IA.
  • Mantenha uma pessoa responsável pela autoria de cada roteiro aprovado.

Referências

  1. Washington State University. Using the term 'artificial intelligence' in product descriptions reduces purchase intentions, 30 jul. 2024. Acessar
  2. Convergência Digital. Consumidores preferem marcas que dizem não à inteligência artificial generativa (pesquisa Gartner), 16 mar. 2026. Acessar
  3. LBB Online. Consumer trust at odds with AI usage, Getty report shows, 25 jun. 2024. Acessar

Tags

  • confiança do consumidor
  • inteligência artificial
  • comportamento do consumidor
  • transparência
  • gestão de marca

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