Confiança emocional: o que acontece quando o consumidor percebe a IA na mensagem
Três pesquisas convergem: quando o consumidor percebe a IA na mensagem, a confiança emocional na sua marca tende a cair.
Em 30 segundos
- Na WSU, mencionar IA reduziu a confiança emocional e a intenção de compra.
- O efeito foi mais forte em produtos de alto risco.
- Na Gartner, 50% dos consumidores americanos preferem marcas que evitam IA generativa nas mensagens.
- Na Getty Images, 90% querem saber se uma imagem foi feita com IA.
A confiança sustenta boa parte das escolhas que o consumidor faz pela sua marca. Três pesquisas recentes, feitas por uma universidade americana, por uma consultoria global e por um banco de imagens, chegam a conclusões convergentes sobre o efeito da inteligência artificial nessa relação.
Neste sexto artigo da série, olhamos para esses estudos e para o que eles dizem sobre a confiança emocional, aquela que faz alguém escolher uma marca sem precisar comparar planilhas.
A palavra "IA" reduz a vontade de comprar
Em julho de 2024, a Washington State University divulgou um estudo liderado por Mesut Cicek, publicado no Journal of Hospitality Marketing & Management. Os pesquisadores fizeram experimentos com mais de mil adultos nos Estados Unidos e mostraram descrições idênticas de produtos e serviços, com uma única diferença: a menção ou a ausência do termo "inteligência artificial".
A recomendação do pesquisador ao mercado foi objetiva: descrever características e benefícios e deixar de lado os jargões de IA. O estudo tratou de descrições de produtos. Por analogia, a mesma cautela serve para outras mensagens em que você pede ao público que acredite na sua marca.
Metade dos consumidores prefere marcas que evitam IA generativa
Em março de 2026, a Gartner divulgou uma pesquisa feita em outubro de 2025 com 1.539 consumidores nos Estados Unidos. Segundo reportagem da Convergência Digital, 50% dos entrevistados disseram preferir comprar de marcas que não usam IA generativa em mensagens dirigidas ao consumidor, como publicidade, conteúdo de marketing e interações com clientes.
O mesmo levantamento mostrou que 68% se perguntam com frequência se os conteúdos que veem são reais, e 61% questionam com frequência se as informações que usam no dia a dia são confiáveis. A recomendação atribuída à Gartner é que profissionais de marketing tratem a IA generativa como uma decisão de confiança e de tecnologia ao mesmo tempo.
O queixo delas treme quando tem contato com uma comunicação importante da marca?
Nove em cada dez querem saber se a imagem foi feita com IA
O relatório "Building Trust in the Age of AI", da Getty Images, ouviu mais de 30 mil adultos em 25 países, com levantamentos feitos entre 2022 e 2024. De acordo com a cobertura do LBB Online, 90% dos consumidores querem saber se uma imagem foi criada com IA, e 98% consideram imagens e vídeos autênticos indispensáveis para construir confiança.
Jacqueline Bourke, diretora sênior de criação da Getty Images para a região EMEA, afirmou que, quando autenticidade e confiança são centrais para uma marca, uma campanha ou um produto, a IA provavelmente não é a escolha adequada. Ela lembrou também que nenhuma empresa está imune a reações negativas quando o conteúdo de IA abala a confiança do público.
Confiança emocional e filme publicitário
Na nossa leitura, um filme publicitário é, em grande medida, um pedido de confiança. Com ele, você convida o público a acreditar numa história, numa promessa e num tom de voz. Quando o espectador desconfia da origem do que está vendo, a desconfiança se estende ao que está sendo dito.
O estudo da WSU indica ainda que o efeito cresce conforme aumenta o risco da decisão de compra. Bancos, planos de saúde, construtoras, escolas e marcas de bens duráveis lidam com escolhas que envolvem dinheiro, segurança e futuro. Se a sua marca está nesse grupo, a autoria da mensagem merece atenção redobrada.
Transparência e autoria
A pesquisa da Getty sugere que o público valoriza saber como o conteúdo foi feito. Daí vem uma pergunta que você precisa responder: se a sua marca decide usar IA em alguma etapa, como comunica essa escolha, e quem responde pela mensagem final?
Ter um roteirista identificado, responsável por cada fala, é uma forma concreta de garantir autoria. O décimo artigo da série mostra como distribuir as tarefas entre pessoas e ferramentas sem perder esse controle.
Na prática
- Avalie o grau de risco da decisão de compra do seu produto antes de usar IA na mensagem.
- Evite destacar a IA como argumento de venda quando o público precisa confiar na sua marca.
- Defina uma política clara de transparência para conteúdos produzidos com IA.
- Mantenha uma pessoa responsável pela autoria de cada roteiro aprovado.
Referências
- Washington State University. Using the term 'artificial intelligence' in product descriptions reduces purchase intentions, 30 jul. 2024. Acessar
- Convergência Digital. Consumidores preferem marcas que dizem não à inteligência artificial generativa (pesquisa Gartner), 16 mar. 2026. Acessar
- LBB Online. Consumer trust at odds with AI usage, Getty report shows, 25 jun. 2024. Acessar
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